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Matéria de hoje do site do Globo:

TAM deixa passageiros sem voo e comida na madrugada

Cerca de 300 pessoas estão há mais de 12 horas aguardando embarque para Nova York

ATHOS MOURA

RIO – Cerca de 300 passageiros tiveram seus direitos básicos desrespeitados, na madrugada desta quarta-feira, após o cancelamento do voo 8078 da TAM, que deveria decolar para Nova York às 23h05m desta terça-feira. Às 10h45m desta quarta-feira, o grupo ainda aguardava no saguão da sala de embarque do Aeroporto Internacional Tom Jobim. Segundo os próprios passageiros, funcionários da companhia teriam afirmado que esse voo e outros dois, para Paris e Londres, atrasariam porque a empresa responsável pela entrega dos alimentos não tinha providenciado as refeições que seriam servidas durante a viagem.

Quando a alimentação chegou, trouxe junto outro problema. Com o atraso provocado pela empresa de serviço de bordo, a carga horária da tripulação seria extrapolada. Os passageiros que iriam para França e Inglaterra conseguiram embarcar, pois havia tripulação reserva. Já o voo para Nova York foi cancelado. Devio à confusão, os passageiros passaram a madrugada sem comer:

– O restaurante só abriu às 6h. Tem criança, idoso. Às 3h, um funcionário da companhia informou que não tinha hotel disponível para acomodar os passageiros. Passamos a noite acampados no aeroporto – disse Carla Costa, que espera embarcar para Nova York.

Por lei, após duas horas de atraso é obrigação da empresa aérea fornecer comida aos clientes, e, após quatro horas, hospedagem. Contudo, nada disso foi providenciado.

No meio da madrugada, foi informado que o voo decolaria às 11h desta quarta-feira, com doze horas de atraso, o que não ocorreu. Todos, após já terem feito o primeiro check-in entre 19h e 21h, e depois de saberem do cancelamento do voo, precisaram novamente entrar na fila para despachar suas bagagens.

E os problemas continuaram a surgir. Os atendentes da TAM marcaram os assentos do novo voo aleatoriamente. Um casal de Porto Alegre, de férias com os filhos, estava no aeroporto desde as 15h de terça-feira e não aceitou essa alteração. O médico Marcelo Caldeira, de 49 anos, reclamou que pagou por passagens mais caras para a sua família eacabou alocado em outras poltronas.

– Essa é a nossa viagem de férias e já começa dessa maneira. Eu paguei mais caro para que eu, minha mulher e meus filhos viajássemos juntos e agora querem nos separar. E o atendente ainda nos disse que, caso não aceite essa opção, tenho o direito de não embarcar. Ou seja, a empresa começa a fazer errado e, ao invés de tentar ajeitar, prefere continuar errando – alegou o médico gaúcho.

O produtor de cinema Rômulo Marinho, que viaja a Nova York para participar do pré-lançamento do filme “Lula, o filho do Brasil”, também se sentiu desrespeitado e procurou o guichê do Tribunal de Justiça no aeroporto, mas não conseguiu dar entrada numa ação contra a TAM, pois o sistema não estava disponível.

A falta de um posto da Agência Nacional de Avião Civil (Anac) no aeroporto também foi motivo de críticas dos passageiros. O advogado Paulo Franco e sua filha de 12 anos fizeram seu primeiro check-in às 19h . Ele criticou a falta de infraestrutura no aeroporto para estas situações:

– Não existe um posto da Anac no aeroporto Internacional. Isso é um absurdo. Como posso reclamar oficialmente? Os atendentes da TAM me dizem que não há hotéis disponíveis na cidade. Como não existe hotel? Imagina na Copa e nas Olimpíadas – protestou Franco.

A assessoria de imprensa da TAM informou que o cancelamento do voo foi causado pelo atraso na entrega do serviço de bordo. Segundo a companhia aérea, esse foi o primeiro dia da empresa contratada e houve problemas de logística. Sobre a falta de suporte aos passageiros, a empresa disse que, por volta das 5h30m, foi servido um café da manhã. Porém, segundo os próprios passageiros, a refeição foi insuficiente para todos. Eles contaram que, ao chegarem ao restaurante, encontraram apenas poucas frutas.

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